Mostrando postagens com marcador Memorias de Flor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memorias de Flor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Campeã

Hospede inúmeras fotos no slide.com GRÁTIS!
E o mês de Fevereiro chegou com vontade.
Esse verão chuvoso vem causado alguns danos naquele pedacinho de chão.
Os recém-casados pintassilgos, tiveram seu ninho derrubado pela ventania da ultima quinta feira.
Foram acolhidos pelo engenheiro João de Barro e sua meiga esposa Maria.
O Senhor João de Barro é respeitado empresário na área de empreendimentos imobiliários e aconselhou ao jovem casal a adquirir um novo ninho com a abertura para o nascente e prometeu acessória na nova escolha.
Triste foi ver o formigueiro das lava-pés todo inundado devido ao entulho deixado por baratas de rua.
A Avó de uma Joaninha salvou 3 dos netos sozinha usando apenas as patinhas e uma folha de mangueira como embarcação. Amor materno em dose dupla.
Saúvas aproveitaram a trégua que a chuva deu para fazer alguns reparos e dar uma faxina no ninho.
Com todo trabalho que tiveram na confecção das fantasias da Escola de samba "Unidos do beija-flor", desde Dezembro não pararam de trabalhar.
Este ano Charly, o escaravelho francês que é o carnavalesco mais cobiçado do mundo das festas populares criou um tema lindo.Todo projeto tem seu preço,e o trabalho foi dobrado.
Dona aranha confeccionou todas a alegorias e fantasias das passistas, que eram umas pulguinhas agitadas deixadas por um cão vira-latas que ia ali vez ou outra para enterrar seus ossos.
Os vestidinhos da ala das baianas, umas tatus-bolinhas muito simpáticas da comunidade,ficou a cargo da talentosa Valquiria uma vespa que nos áureos tempos da juventude foi rainha do carnaval. Mesmo com a idade conserva a famosa cintura que tornou sua marca registrada e padrão de beleza por gerações.
Flavinha do Novo Açude foi a porta-bandeira deste ano. A animada foliã recebeu estandarte de louro. Usou um lindo traje de época confecionado artesanalmente com pétalas de margarida sobrepostas todo rebordado com gotas de orvalho e fios de seda. Na cabeça um resplendor de plumas de canário da terra e trajada assim, nem parecia àquela lagartixa magricela e desengonçada de todo dia.
O mestre sala? Sérgio, o sapo Boi .Obviamente estava lindíssimo em seus trajes de época.Parecia um príncipe para o delírio e cobiça das pererecas solteiras.
Os beija-flores, destaques indispensáveis do espetáculo estavam mais reluzentes que nunca. Trouxeram inclusive uma espécie rara e dourada lá da outra margem do rio.
Este ano Letícia Lepidóptera, uma lépida e bela borboletinha azul, mais conhecida como Lele da Vila do Mel, foi eleita rainha da bateria. Ela arrasou seu micro-biquine. Interessante como mestre Grilo e os pica-paus ritmistas da bateria ficaram animados com a bela representante.
A escola venceu pela quinta vez consecutiva.
Sábado ao pôr-do-sol teve o desfile das campeãs. Claro que há muitos comentários a respeito de algum tipo de falcatrua nos resultados.
Até que se prove o contrario, o carnavalesco com serenidade, emocionado, enxuga suas lágrimas com um lenço de hortelã, se defende descrevendo todo amor da comunidade pela escola e afirma animadamente que isso é que faz a diferença.
Neste mesmo instante é carregado pelos ares, como herói, por abelhas torcedoras.
Sua concorrente e principal rival, a Escola de Bambas Geléia Real, promete em forma de grito de guerra que: "No ano que vem não tem pra ninguém" e já trabalham no novo espetáculo.
Bem caros leitores, restam-nos esperar pra ver!
Enfim, a festa acabou e tudo voltou ao normal.
E vamos que vamos de volta às aulas.
Até a próxima aventura de Flor
Fonte: Jornal do Terreno Baldio-Correspondente Flor do Canto
Editado por Pc a coruja
Delírios de Eliana Lopes de Andrade.
Hospede inúmeras fotos no slide.com GRÁTIS!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

HERA

MEMÓRIAS DE FLOR-Eliana Lopes de Andrade




Tratava-se de uma dessas plantas sapecas tipo trepadeira.
Pertencia a nobre familia das Moraceaes.
Desavergonhadamente brotava em todos os lugares.
Havia instalado-se naquele terreno há poucos metros de distância de FLor.
Vistosa e folhosa, exibia sem pudor seu verdume a todos que passavam.
Sua maior diversão era narrar para Flor entre gracejos e risadas todas as suas divertidas, e ate mesmo perigosas, aventuras aéreas.
Descrevia com aquela sensualidade que lhe era peculiar, todas as experiências de suas micros raízes em suportes e texturas diferentes.
Não poupava Flor de nenhum detalhe por mais sórdido que as vezes poderiam parecer.
Ela tinha talento para contar uma história,pensava Flor sorrindo .
A trepadeira sonhava um dia se estabelecer definitivamente num lindo e forte baldaquino de metal.
Dizia-se cansada de tantos suportes vagabundos.
Quando percebia que estava ficando serio demais o assunto, risonha e debochada afirmava que queria mesmo era pendurar suas lianas de vez e se aposentar.
Hera, a trepadeira, era mesmo uma planta vivaz, esperta ,divertida e desinibida...

sábado, 19 de janeiro de 2008

MEMORIAS DE FLOR


"[...]Havia uma minhoca muito simpática cuja profissão e especialidade era de "raizicure". Não era uma minhoca qualquer, havia desenvolvido uma técnica maravilhosa para cuidados de bulbos e raízes.Resolvia todos os problema dessa área e se não resolvesse é por que era mesmo o fim.
Muito querida e respeitada no reino vegetal atendia a domicilio suas freguesas e com cuidado e profissionalismo revolvia toda a terra sob as raízes das plantas deixando-as como uma nuvem. As velhas raizes não ficavam sem esse tratamento visto que sem o viço da juventude, cansadas já não suportavam mais se a terra ficasse muito firme. Era mesmo uma maravilha de trabalho. Com a moda dos vegetais masculinos denominados "metrovegetais", adjetivo este adquirido por súbito cuidado em excesso da aparencia pessoal desse gênero. Todos deixaram-na sobremaneira asoberbada
Mas nao reclamava pois finalmente com todo dinheiro que ela estava recebendo poderia comprar sua propria clinica de estética para borboletas,grilos e gafanhotos e nao precisaria mais correr tanto.
A solícita minhoca e suas assistentes mal paravam para engolir rapidinho uma salada de folhas de almeirão com um fio de azeite de verme de coco e bolinhos de terra do brejo e logo saiam a trabalhar.
Iam daqui pra lá, carregando suas maletinhas com produtos da flora e pequenas macas portateis.Prontamente chegavam equipadas para atender seus clientes ávidos por uma aparência melhor.
Os massageava, ajeitando e fertilizando suas raízes. Literalmente algumas se dividiam em duas para atender a tanta demanda. E como ficavam lindos com o resultado.
Flor achava graciosa a minhoca com seu óculos na ponta do nariz e seus longos cabelos ruivos presos em rabo de cavalo.[...]"

Fragmento de Memória de Flor -Eliana Lopes de Andrade


PS: Os cabelos da minhoca foram adaptados, inspirado e também é uma singela homenagem a Stef que sera obrigada a ter cabelos na cor "normal" em breve,Bjkas e parabens menina!!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

"[...]A cada dia, apesar dos aspectos nada favoráveis do solo onde havia se instalado, Flor recuperou seus traços antigos e voltou a sorrir novamente.
Tinha verdadeira admiração por seres alados.
Talvez pela própria condição de vegetal de sua espécie que era a de ter a inerente necessidade física de estar fixa ao chão.
Abelhas, borboletas, pássaros e toda sorte de animaizinhos alados das redondezas descobriram sua presença e cultivaram uma admiração gratuita por sua personalidade floral .
Ela, retribuía as visitas com perfume ,néctar e cor.
Era realmente uma troca justa entre os amigos.
Traziam noticias frescas de distantes lugares , uma diversidade de informações que encantavam e saciava um pouco a sua curiosidade incomum de flor.
Uma margarida que ali se instara há meses e orgulhosamente exibia sua primeira floração dizia com ar de desdém que as únicas coisas que uma flor precisava saber era sobre fases da lua, de que lado o sol nascia,as estações do ano, posição dos ventos e polinização.Nada mais afirmava a margarida,nada mais teria valor para a sobrevivência de Flor.
Ela sorria carinhosamante e balança suas pétalas...
Verdadeiramente era um momento de alegria e alvoroço.
Essas criaturinhas vinham todos os dias em horários diferentes e entre risadas e diálogos se deliciavam com o néctar que Flor lhes serviam e atentamente ouvia suas narrativas.
Flor viajava,por um momentos se sentia aérea,etérea,vaporosa...
Com o tempo e com esse trânsito diário de insetos e aves , Flor percebeu que aqui e ali, outras pequenas flores e arbustos iam aparecendo e desafiando o rústico terreno.
Afinal, aquele lugar não era totalmente ruim como parecia.
Flor filisofava sobre isso enquanto se divertia ao observar uma Onze Horas se abrir e esfregar com suas tenras folhas os olhinhos incomodados pela luz .[...]"


Fragmento de Memórias de Flor de Eliana Lopes de Andrade