sábado, 1 de março de 2008

MÊS DE MARÇO ME DEIXA INTROSPECTIVA

Perto de minha casa, pude observar algo tão corriqueiro, simples, tocante, mas que me levou a pensar sobre a vida..
Uma série de frutas maduras que lançadas pela árvore , derrubadas pelo vento, bicadas por pássaros,chuva ou crianças que buscam sua sombra para brincar, apodreciam sobre a terra.
Em um pequeno espaço pude observar toda uma seqüência evolutiva do processo dessas sementes.
Naqueles invólucros jogados ao chão havia um mundo inteiro de uma árvore.
Aliás,infinitas árvores há dentro de uma semente.
Havia ali algumas que tiveram suas polpas recém consumidas , imagino que pela molecada, outras ressequidas pelo tempo, logo ao lado outras não consumidas em estado de putrefação ...
O espetáculo da vida acontecendo diante de meus olhos.
Um mundo inteiro de uma árvore.
Todo um universo, toda gênese, toda informação ancestral repousava ali naquelas sementes,aguardando a hora certa.
Um maravilhoso microcosmo com vida latente , valente, resiste as intempéries do verão.
Curiosamente o que parece sofrimento, é exatamente o processo necessário para a perpetuação da vida.E a chuva e o sol fazem sua parte.Umedece e aquece a dormente estrutura .
Há uma explicação lógica para tudo.
Quando é tempo, e todo o reservatório de alimento interno é consumido, oportunamente a vida rasga a película que até então a protegia e se estica para a morte.

Pensei: sorte da fruta que foi consumida pois não passou pelo apodrecimento,alimentou alguém e vai brotar mais rápido.

Verde, tenro, frágil ainda,pronto pra luta, lança suas delicadas raízes até o solo e enfim se instalam como uma futura árvore.

Viver é morrer a cada dia.

Toda vez que passeio sob as mangueiras no verão em especial, época de sua safra, observo suas sementes ali ,sem pudor rasgando-se em raízes.
Acho bonito e sinto-me parte daquelas árvores.Não me sinto diferente delas ...
Pelo menos em espírito mais de uma vez já fui uma mangueira,ja fui seus frutos.
Já tive todas as minhas melhores intenções e sentimentos um dia lançadas ao chão.
Pessoas como um vendaval colocaram por terra tantas coisas boas.
Também tive momentos apodrecidos por sentimentos que me consumiram, passei por um período ressecada, inerte, arrefecida com tudo e quase todos. Castigada por terríveis calores internos que só a raiva, a magoa pode dar a alguém eu sofria.
Depois, umidificada por dias, meses, anos a fio com minhas próprias mazelas. ..

Mas, o alimento interno , a gene que possuo a força vital que é inerente a todo ser humano ,aliada ao alimento que recebi de minha mãe quando ainda pequena, que é a força da fé, na hora certa me rasgou inteira para a vida novamente.

Gosto da expressão “frutos do espírito”. Passamos toda uma vida nesse processo de maturidade, e se tivermos um pouquinho de juízo, sabedoria, autocrítica, serenidade, paciência e sensibilidade, quem sabe deixaremos alguma semente boa para o futuro.
È deprimente pensar em alguém vindo ao mundo e nada deixando de bom.
Podemos escolher que tipo de morte diária que queremos ter e é uma morte dolorida,nunca é fácil lidar com nossas doenças e defeitos interiores,aqueles que nao gostamos que o outros vejam.
"Crescer e morrer dói", já dizia a minha mãe.
Portanto que morra em nós a inveja, maldade, desonestidade, egoísmo, falsidade, mau-humor, intriga, a injuria e tantas outras coisas feias que o ser humano costuma cultivar.

Os frutos do espírito na verdade só servem para nós mesmo, são nossos alimentos interiores. Só serve para nosso bem estar físico, mental, profissional, amoroso, espiritual, social.
Os dons, esses sim são o que usamos para o bem estar dos outros.

"A melhor maneira de ser feliz é fazendo alguém feliz! "


Mesmo que seja uma única pessoa durante toda uma vida.
Imagine se cada ser humano fizesse pelo menos um outro realmente feliz?
Há que se preparar o solo de nossas vidas, pois dela, que é breve, o que levaremos somente é o caráter, nosso único bem.Precioso patrimônio ,intransferível, exclusivo e personalizado .
Carater independe de religião ou crença, apesar de que bem aplicada é uma excelente ferramenta de bem estar e fonte de princípios básicos de humanidade,civilidade,mas se não for seguida por amor, nada garante..
Viver bem depende exclusivamente de voce e a quem, ou o que voce voce entrega seus anseios e como voce encara a vida.
De preferências que não sejam entregue a ninguém nossos anseios,é cruel culpar alguém por seus fracassos pessoais e isso não nos faz crescer. Que se possamos tomar as rédeas da própria felicidades, seus riscos ,isso é ser livre. Isso é ser responsável.
As mangueiras possuem a sombra mais refrescante que já senti e são sempre bem vindas.Seus galhos são acolhedores, acessiveis, seus frutos são indiscutivelmente doces e sua doçura lambuza a quem se aproxime deles .
Saber-se refrescante ,acolhedor,dulcissimo para alguém, já vale a pena ter vivido.
(Eliana Maria Lopes de Andrade)

11 comentários:

Nathy disse...

Lindo texto!!!! Tinha até esquecido que março é o mês das muheres. Beijos!!!

Leandro Bastos disse...

muito bom!
sua mente é uma semente
parabéns :}

Edson Marques disse...

Nana,

Morrer e renascer a cada dia!

Gostei muito do texto. Me fez lembrar do livro "Quero que você morra!".


E a música embalou meu fim de madrugada.

Deixei resposta pra você direto lá nos comentários do blog Mude. Quando puder, leia.

Abraços, flores, estrelas..

Marcelo disse...

Seu texto é um pedra a ser lapidada. Defina o seu estilo. Combinar termos como "invólucro", "cercanias", "putrefação", "intempéries" não combinam com a coloquialidade de "molecada" e de muitas esxpressões lugares-comuns (a maneira de ser feliz é fazer alguém feliz, por exemplo). Mas o texto promete e vai uma dica que vale para todo tipo de texto: escrever bem é escrever, objetivo e fazendo uso das palavras secas e precisas.
Um grande abraço

Marcelo disse...

desculpe há erros toscos de digitação meus... "expressões", aquele primeiro Combinar.. ignore-o.. rs
Abraços

Nana Lopes disse...

Rsssss
Marcelo, preciso te dizer que é assim que falo,ou é assim que todos falamos,um shake de palavars eruditas , populares,algumas chulas (não é meu caso,rss). Obrigada pelas dicas,mas foi feito para ser assim."lugar comum", como comum é a vida.
Coloquial,erudito,popular e também simples.
Estou falando de coisas do dia a dia, expressões corrigueiras, e foi proposital, inclusive um pouco piegas.No dia a dia mistura-se palavras ,assim como no texto, é assim que quero que fique.
Não quero definir um estilo pois não sou escritora, estou brincando de escrever, assim como há anos brinco com meus pinceis,tintas,lápis de cor...como não sou *gente grande na escrita( escritora) posso tudo, desde que respeite pelo menos as regras da gramática (risos).Quanto aos erros toscos não se preocupe, sou péssima digitadora também e "para quem sabe ler um pingo é (I)".Mesmo assim obrigada pelo carinho.

paula barros disse...

Gosto quando é feito uma análise sobre um tema, um paralelo, e depois quem escreve falando de si, e nos deixa reflexões.
E fico pensando que árvore quero ser? que frutos quero produzir? que sementes quero plantar? que sombra sou capaz de prazerosamente ofertar?
E também que frutos quero colher?
Pois é Nana, são tantos questionamentos.
beijos

Pedro Ojeda Escudero. disse...

¡Qué texto más hermoso!
Feliz mes de marzo, Nana.

Benó disse...

Realmente o mês de Março é como uma mulher:inconstante, ora ri, ora chora.Num mesmo dia podemos ter as quatro estações do ano.
Aprendamos a ser felizes, pelo menos neste mês da chegada da primavera em que tudo se renova.
Um abraço.

PEDRO, MD. disse...

Sensível, tocante e verossímil... São as três primeiras palavras que me vieram à cabeça para caracterizar este texto! Simplesmente divino! Mas sabe, eu até gosto de março, pois é, na verdade, o primeiro mês produtivo do ano. Em compensação, dezembro pra mim (e acredito que pra grande parte das pessoas, obviamente)é um mês muito pesado - de longe o pior mês do ano!
Ótimo post!

PS: Descobri teu blog ao visitar um blog de um amigão meu, o Lenadro Lindner...PARABÉNS!

Abração!!! =)

Osc@r Luiz disse...

Querida, às vezes as belezas da vida estão nas coisas pequenas e comuns.
Basta que estejamos abertos a percebê-las.
Matando as saudades.
Beijos e uma boa semana!