sábado, 9 de fevereiro de 2008

Exéquia


Ela chorava.
Tranquila, nada abalava-lhe a ténue linha do rosto.
Seus cabelos cobriam parte da face que lhe emprestava aparência de um sedoso véu negro.
Como uma cornucópia, suas mãos em repouso seguravam um ramalhete multicolorido de flores do campo.
Coração,um fragmento confortado.
O medo já não mais lhe aterrorizava.
O pesar transpos-lhe toda opressão que receava pela vida toda.
Afinal, o dia haveria mesmo de chegar.
Chegou rápido e assolador.
As lagrimas lhe caiam bem.
Ao avaliar por sua elegância, muitos poderiam até pensar que ela vertia vinho branco pelos olhos.


De Eliana Lopes de Andrade
Dedicado à Diva Lopes - 17/03/2006.

16 comentários:

Marra Signoreli disse...

Pretendo, talvez, ler estes versos quando estiver com menos sono...

Nanamada disse...

??????

Dona Moça disse...

Que forma delicada de escrever.

Mas, o que aconteceu a ela?

Ela veio a falecer, ou eu compreendi errado?

Nanamada disse...

SIM.
Era minha mae

Davi Arloy disse...

Juro que tive uma desorganizaçao mental no meio dos versos.No inico e no fim também =x

http://calcajeansehavaianas.blogspot.com/

Nanamada disse...

Puts!!
KKKKKKKKKKKKK.
As letrinhas lhe embaralharam as ideias??

Meerstempel Badist disse...

Que beleza, ótima descrição poética, você é daquelas poetizas que sente e escreve sem pensar muito e no final, quando se lê, percebe-se a beleza do texto. Uma pena que as tragédias sejam a maior fonte de inspiração.

César Fernández disse...

que coisa mais linda

a música de fundo dá um clima legal à leitura

Nana Lopes disse...

Meer!!
A maior fonte de inspiração é a vida e todas as coisas que implicam em viver,inclusive a morte.
Há poesia em tragédias na mesma intensidade que há no sorriso de um bebê!

Flávio Vasconcelos disse...

bem sinestesista!Lgl o poema.Gosto muito de ler e achei ele com uma sonoridade muito bacana vertia vinho...com se chama isso?!aliteração? do tipo violoes vozes veludas vozes...ou algo do tipo

visite o meu também:
http://dicasdecarreira.blogspot.com/
obrigado

Fábio Buchecha disse...

Nana, amiga, sou completamente leigo acerca de poesias, prosas e afins. É quase impossível eu conseguir fazer uma análise de seu texto de modo que seja satisfatória para você. Perdão se meu comentário foi vago, mas a única coisa que pude inferir é que alguém morreu (ou não. tá vendo como sai besteira?).

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TemPraQuemQuer <<< Entra!

Ronaldinho disse...

gostei desse seu texto, assim como de outros que tem aqui no blog, parabens

Fire disse...

è incrível como vc consegue fazer da dor uma coisa tão bela, porque mesmo que triste o poema é perfeito!!

Beijos Nana

Carol Barcellos disse...

Faço das palavras da Fire minhas palavras tb!!! Olha, querida, esse talento que vc tem de deixar até a morte mais bela com suas palavras, é algo muito lindo! Há certos temas sobre os quais não consigo escrever, e admiro muito que escreve assim tão perfeitamente sobre isso, como vc!!! E acho muito lindo tb o fato de vc preservar sua mãe viva aqui no seu espaço, no seu blog, no seu coração, e tb no coração de muitos que te lêem!

Beijos doces cristalizados!!!

Por Ricardo Cazarino disse...

Fantásticas palavras a um momento da vida! O poema apresentar conforto e acamlma os pensamentos, nem que seja por um instante!
Bj

O Profeta disse...

Nesta baía
Quando chega ao fim do dia
As pedras dormem com o mar
Quando vem a calmaria



Bom fim de semana


Mágico beijo