Sempre penso sobre os desencontros da vida.
Principalmente nos desencontros amorosos.
Nos desencontros que o tempo e o espaço causam.
Penso também nas diferenças de peso e tensões dos sentimentos e desejos nas relações.
Sempre há um que ama mais que o outro, ou que demonstra mais que o outro,ou que percebe mais do outro que o outro,que quer mais que o outro...
Normal ,haja vista que trata-se de duas pessoas totalmente diferente um do outro.Individuos.
Mas ,por que espera-se que haja essa sincronia de vontades? utopia?
Há duas musicas que gosto de ouvir por varias razões :por afetividade pois me trás lembranças de tempos remotos de infância,de pessoas, pelas melodias que são gostosas .
Alguém teve a boa ideia de colocá-las juntas na mesma gravação e ficou perfeita tanto na linha melódica quanto na linha de pensamento.
Trata exatamente desses desequilíbrios de sentimentos nas relações.
Uma é Say a Little Prayer for You, composta por volta de 1967 por Burt Bacharach/David Hal para Dionne Warwick cantar.Uma fofura de music que foi inserida na trilha do filme "O casamento do meu melhor amigo" (alias uma das melhores e divertidas cenas do filme é quando cantam a música.
A outra musica em questão é a By The Time I Get To Phoenix que me lembra os antigos parques de diversões na minha infância nos quais usavam os auto-falantes como radio comunitária e ofereciam-se musicas para os namorados.Essa musica tocava muito . È uma canção americana composta por Jimmy Webb gravada por Glen Campbell, em outubro de 1967.
Johnny Rivers gravou a musica em 1965 mas passou sem fazer sucesso ai o Glen Campbell lançou um compacto simples* da musica e estourou nas paradas de sucesso dos EUA e aqui no Brasil me lembro que tocou muito mesmo .
Essa musica esta entre as 500 mais lindas canções do mundo segundo a publicação da revista Rolling Stones de 2004.Particularmente acho bonita.
Mas voltemos ao encontro das duas musicas e o que eu estava falando sobre sentimentos desencontrados nas relações. As vezes para um esta tudo bem e lindo, o outro ta afim de sair fora.
Enquanto na musica Say a Little Prayer for You a moça começa falando que “No momento que acordo antes de colocar minha maquiagem eu faço uma pequena prece para você”, ou seja, já acorda pensando no cara, em “By The Time I Get To Phoenix diz :“Quando eu chegar a Phoenix, ela estará se levantando. Ela encontrará o bilhete que eu deixei pendurado na porta dela. “Ela rirá quando ler a parte que diz que estou indo embora” , o cara ta dando no pé sem dó.
È bem interessante como colocaram as duas gravações juntas e como que as letras se relacionam ...
Uma observação:è claro que geograficamente o cara jamais poderia fazer de carro esse percurso em um dia mas vale a licença poética,rss .
Abaixo vai a tradução das duas musicas e depois o vídeo com as musicas juntas.
Say a Little Prayer for You ( A moça)
No momento que acordo
Antes de colocar minha maquiagem
Eu faço uma pequena prece para você
Enquanto penteio meu cabelo agora
E enquanto fico pensando o que vestido usar agora
Eu faço uma pequena prece para você
Eu corro até o ônibus, querido
Enquanto ando nele eu penso em nós, querido
E faço uma pequena prece para você
No trabalho eu apenas faço hora
E por toda hora do café
Eu faço uma pequena prece para você
Meu querido acredite em mim.
Para mim não há outra pessoa se não você.
Por favor me ame também.
E eu estou apaixonada por você
Responda minha oração agora baby.
(Refrão)
Para sempre, para sempre você ficará em meu coração
E eu te amarei
Para sempre e jamais nos separaremos
Oh, como eu te amarei
Juntos, para sempre, é assim que deve ser
E viver sem você
Apenas significaria magoas para mim
By The Time I Get To Phoenix (O cara cantando)
Quando eu chegar a Phoenix, ela estará se levantando.
Ela encontrará o bilhete que eu deixei pendurado na porta dela.
Ela rirá quando ler a parte que diz que estou indo embora,
pois já deixei essa garota tantas vezes antes
Quando eu chegar a Albuquerque,ela estará trabalhando.
Provavelmente ela vai fazer uma pausa no almoço e ligar para mim.
Mas ela ouvirá aquele telefone vazio continuar tocando longe da parede.
E isso é tudo.
Quando eu chegar a Oklahoma, ela estará dormindo.
Ela vai se virar suavemente e chamar meu nome baixinho.
Ela vai chorar ao pensar que eu realmente a deixei.
Oh, há quanto tempo eu tentei dizer a ela isso.
Ela não sabia que eu realmente partiria.
Ela simplesmente não sabia...
*Compacto simples era um disco de vinil de tamanho pequeno no qual era gravado somente duas musicas, uma de cada lado.
sábado, 24 de julho de 2010
Um Indio
Parodia para Indio da Costa
Com carinho da Nana...
Cante comigo!!
♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪
Um índio falso verá uma estrela vermelhíssima e brilhante
Uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração de norte a sul, até o Brasil Central num claro instante
Depois de exterminada a última ação fingiiiiiida
E o espírito dos falsos tucanos for extinto
Mais arrazados que a mais arrazadas das mais arrazadas das ideologias
Verá, atónito e mudo aliiiiii , verá que eu vi
desesperadamente como um saciiiii, verá que eu vi
Fraquinho e deprimido como como Koeniiiig, verá que eu vi
Com o Zé andando a pé , vai chorar sangueee, verá...
Um índio foi usado num plano ridiculo
Em todo lado, todo site e no twitter
Em palcos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, credo em cruz, em som ridiculo...
Num ponto equidistante entre o Planalto e o sacrifiicio
Como objeto, sim, da Costa descera ao limbo.
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, eu sei dizer
assim , de um modo explícito
(Refrão)
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪
(perdão Caê,rs)

PS: Para não ofender nossas queridas nações indigenas usei no modelito do homenageado trajes de indio da gringolandia( afinal ,é de la mesmo que Indio e seu chefe admiram tudo que vem...)
Com carinho da Nana...
Cante comigo!!
♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪
Um índio falso verá uma estrela vermelhíssima e brilhante
Uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração de norte a sul, até o Brasil Central num claro instante
Depois de exterminada a última ação fingiiiiiida
E o espírito dos falsos tucanos for extinto
Mais arrazados que a mais arrazadas das mais arrazadas das ideologias
Verá, atónito e mudo aliiiiii , verá que eu vi
desesperadamente como um saciiiii, verá que eu vi
Fraquinho e deprimido como como Koeniiiig, verá que eu vi
Com o Zé andando a pé , vai chorar sangueee, verá...
Um índio foi usado num plano ridiculo
Em todo lado, todo site e no twitter
Em palcos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, credo em cruz, em som ridiculo...
Num ponto equidistante entre o Planalto e o sacrifiicio
Como objeto, sim, da Costa descera ao limbo.
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, eu sei dizer
assim , de um modo explícito
(Refrão)
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪ ♪ ♪ ♪♪ ♪
(perdão Caê,rs)

PS: Para não ofender nossas queridas nações indigenas usei no modelito do homenageado trajes de indio da gringolandia( afinal ,é de la mesmo que Indio e seu chefe admiram tudo que vem...)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Suite Bergamasque
ImpressõesEliana Lopes de Andrade
Sons e perfumes passeiam pela noite.
Calma,paz,repouso.
No edificio em frente grandes olhos abrem-se em cortinas e luminárias.
Espectros humanos dançam em seu interior
Serena, a negra teia noturna oculta toda armação do céu.
Estrelas,diamantes lapidados pelo tempo ,fisgados , pingentes,
ao longe, insistem em seu brilho de fogo.
È tempo de sonhar.
Uma maça, um beijo,aconchego.
Debussy sussura suavemente em meus ouvidos
Enamorado,descreve suas impressões sobre a claridade da lua.
Arrepio
Imagem:Edward Hopper, Janelas à noite, 1928
Óleo s/tela, 73,7x 86,4cm
Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA
ao longe, insistem em seu brilho de fogo.
È tempo de sonhar.
Uma maça, um beijo,aconchego.
Debussy sussura suavemente em meus ouvidos
Enamorado,descreve suas impressões sobre a claridade da lua.
Arrepio
Imagem:Edward Hopper, Janelas à noite, 1928
Óleo s/tela, 73,7x 86,4cm
Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Serra , o hilario.
Esse período de eleição é de maneira especial muito divertido para mim.
Sei que é coisa séria,mas é impossivel nao rir de algumas trapalhadas.
Elegi o candidato José Serra como meu "muso inspirador" de algumas molecagens imagéticas .
Sim,Serra é de longe o mais trapalhão e hilariante candidato que já vi.
Há coisas que ele faz que são piadas prontas.
O drama da escolha do vice por exemplo me rendeu muitas risadas e colagens.
Dia desses em horário nobre na tv ouço ao longe o narrador dizer algo mais ou menos nesse nível:Ele amparou as mulheres, apoiou os jovens e etc,etc.
Juro que até chegar perto da tv para saber do que se tratava, pensei que estavam falando de Jesus Cristo.(kkkkkkkkk).
Vai ser cara de pau assim lá na Mooca.
Fico me perguntando como é que algumas pessoas ainda podem acreditar em um sujeito desse, com um discurso com tanta desfaçatez? Mesmo porque esse tipo de tom para propaganda eleitoral já é ultrapassadissimo.
Inspirada nesse fato, e em tantos atos de caridade e amor ao proximo e aos menos favorecidos proclamado por ele na propaganda eleitoral ,faço aqui minha homenagem ao futuro prêmio nobel da paz.
Sei que é coisa séria,mas é impossivel nao rir de algumas trapalhadas.
Elegi o candidato José Serra como meu "muso inspirador" de algumas molecagens imagéticas .
Sim,Serra é de longe o mais trapalhão e hilariante candidato que já vi.
Há coisas que ele faz que são piadas prontas.
O drama da escolha do vice por exemplo me rendeu muitas risadas e colagens.
Dia desses em horário nobre na tv ouço ao longe o narrador dizer algo mais ou menos nesse nível:Ele amparou as mulheres, apoiou os jovens e etc,etc.
Juro que até chegar perto da tv para saber do que se tratava, pensei que estavam falando de Jesus Cristo.(kkkkkkkkk).
Vai ser cara de pau assim lá na Mooca.
Fico me perguntando como é que algumas pessoas ainda podem acreditar em um sujeito desse, com um discurso com tanta desfaçatez? Mesmo porque esse tipo de tom para propaganda eleitoral já é ultrapassadissimo.
Inspirada nesse fato, e em tantos atos de caridade e amor ao proximo e aos menos favorecidos proclamado por ele na propaganda eleitoral ,faço aqui minha homenagem ao futuro prêmio nobel da paz.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
“Agora que o Kassab foi Kassado, o Arruda Arruinado, só falta o Serra ser Serrado”
Essa frase esta bombando no Twitter e pelo orkut , ai me lembrei de uma serie de pintura que tinha uma decapitação.
Dilmith , e Serrofernes,kkkk
Uma brincadeirinha que fiz com algumas das muitas pinturas sobre o tema Judith decapitando Holofernes.
Holofernes era um general que comandava as
tropas assírias no cerco à cidade de Betúlia ,no século VI
a.C.. Foi morto e decapitado por Judite uma heroína
judia.
A morte de Helofernes desorganizou o exército assírio, que
foi então derrotado. Que os mestres da pintura me perdoem...
rsss.
Uma brincadeirinha que fiz com algumas das muitas pinturas sobre o tema Judith decapitando Holofernes.
Holofernes era um general que comandava as
tropas assírias no cerco à cidade de Betúlia ,no século VI
a.C.. Foi morto e decapitado por Judite uma heroína
judia.
A morte de Helofernes desorganizou o exército assírio, que
foi então derrotado. Que os mestres da pintura me perdoem...
rsss.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Feliz 2010!
Ano novo .Enfim 2010.
Nesses primeiros dias do ano aproveitei para fazer um balanço de mim mesma, da minha vida,profissão,afetos,familia,projetos,vontades,desejos,sonhos,
frustrações,tristezas...
frustrações,tristezas...
Hoje pela madrugada minha amiga querida, a Flávia viu essa imagem do dia 6 de Janeiro e falou do meu "olhar sorridente" .
Engraçado que nem ando tão sorridente assim .Ando nostálgica. Ando com saudades de mim.Pode?
Na hora que li o comentário dela sobre a expressão do meu olhar me veio a mente a frase de uma pessoa especialissima que na primeira vez que me viu, me observando falarfalar,falar,me interrompeu e disse:"Que linda! Como voce pode sorrir assim com o olhar?".
Este ano desejo provocar muitos sorrisos nos olhos dos outros.
Este ano faço questão de ter meus olhos com os maiores sorrisos que jamais pude ter.Preciso que isso aconteça.
È vital que isso aconteça e preciso ser eu mesma a mola propulsora para que isso aconteça.
Essa postagem dedico a todos que se importam comigo, a quem me ama de alguma maneira.
A quem um dia me olhou no fundo dos olhos.
A voce que de alguma maneira fez meus olhos sorrirem.
Para voce uma musica que acho linda de doer.
Inclusive ja´pedi que seja minha musica" postuma".(risos)
Feliz ano novo!
Amo vocês!]
Guarde nos olhos a água mais pura da fonte
Guarde nos olhos a água mais pura da fonte
Beba esse horizonte,toque nessas manhãs
Guarde nos olhos a gota de orvalho chorado
Guarde o cheiro do cravo do jasmim, do hortelã
Guarde o riso como nunca se fez
Corra os campos pela última vez
Guarde nos olhos a chuva que faz as enchentes
Vai um pouco com a gente rumo a capital
Vai dentro da gente
Vamos pra capital.Tá nos olhos da gente..
domingo, 20 de dezembro de 2009
AO MEU AMIGO OCULTO
Conheço muitas dessas pessoas pessoalmente outras não.Nutro por essas pessoas um carinho muito grande..
Convivemos virtualmente todo dia.Criamos laços apesar da distancia fisica.
Meu amigo oculto é uma pessoa que aprendi a amar aos poucos,como todo bom e duradouro amor deve ser.
No inicio quando nao a conhecia melhor achava que era uma pessoa meio seca, as vezes até grosseira, as vezes mau humorada...
Com o tempo ,contato diário,contato pessoal percebi que é uma doce ,meiga e sedosa pessoa que se disfarçava com uma capa de lona.
Meu amigocultosupersecreto é uma pessoa talentosa no mundo dos desenhos e sua profissão é muito importante na ambientação em um filme,novela ou teatro , por exemplo.
Essa pessoa ama o Chico Buarque mas hoje só para sair do lugar comum resolvi dar de presente a ela um poema de um mineiro especial que fala sobre amigos.
Minha amiga oculta carrega dentro dela a poesia personificada.
Minha amiga oculta dará de presente ao mundo e em breve um belo menino.
O nome dela é Juliana e será mãe de Francisco e fiz pra ela um cartão de Natal com ares das madonas de Leonardo Da vinci..
Seja muito abençoada e feliz sua jornada maternal Juliana.Feliz Natal eum lindo ano novo para voce,o Felizão (Ricardo) e o Francisco..Beijos
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
DESENREDO...
Ouça essa preciosidade e depois leia o que vou te contar...
Há muito tempo atras em 2007 para ser mais precisa já falei sobre essa maravilhos a música de Dori Cayme e Paulo cesar Pinheiro que por sinal só faz musica linda.
Há muito tempo atras em 2007 para ser mais precisa já falei sobre essa maravilhos a música de Dori Cayme e Paulo cesar Pinheiro que por sinal só faz musica linda.
Desenredo foi inspirada em "DESENREDO" um conto maravilhoso integrante de Tutaméia-Terceiras estórias de Guimarães Rosa.
Guimaraes bate bem fundo no meu coração pois nasci lá pelas bandas das veredas dos "grandes sertões" que ele tanto fala... Guimarães me lembra minhas origens,meus pais,parte de minha historia.
Esse conto é de uma sensibilidade, tem uma beleza ,delicadeza, uma forma linda de falar sobre amor.
Trata-se de uma historia de amor incondicional, do amor que todo mundo gostaria para sí, o amor que compreende,aceita, redime e restaura o outro e a sí mesmo.
O protagionista dessa historia é Jó Joaquim .
O nome Jó nao foi escolhido por acaso pois a paciência foi uma das "ferramentas desenredantes"
Jó Joaquim (...) "era quieto, respeitado, bom ,como o cheiro de cerveja."
Acontece que ele cai de amores por uma mulher casada e notoriamente infiel .Do tipo de mulher que infelizmente paga caro por suas atitudes e fica marcada a vida toda.Ela era "bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão".
O nome da mulher é trocado varias vezes durante o conto com a mesma rapidez que ela trocava o jeito de ser.O modo que ia mudando o rumo da sua vida.
Ele erra e ela torna-se amante de Jó e la pelas tantas do conto o marido dela morre e Jó ,q ue a amava muito,casa-se com ela mesmo com a reputação péssima que tinha ... Jó nao se importou com o estigma de que ela ia com qualquer um .
Ai começa o melhor da historia...
Jó numa especie de peregrinação por onde passava falava a todos sobre as virtudes de sua amada mulher.
Redesenha a fama dela .
Por amor, ele passou por cima dos "erros" dela e começou num processo de "descalunização" de sua moral e dizia a todos com tanta certeza de que ela jamais teve amantes, que era honesta,leal e fiel e falava com tanta verossimidade que ele mesmo começou a acreditar em sua propria criação.
Com o tempo isso deu credibilidade ao seu sonho e tudo começou a fazer sentido para ele e para todos que falavam mal dela.
O povo , que adora um assunto da vida dos outros pra falar, confuso, começou a diminuir as fofocas sobre a mulher pois o que deveria ser mais afetado só tinah elogios pra fazer a ela... Então , foram absorvendo as novas informações que o marido dava sobre a esposa.
A mulher foi começando a ser respeitada e ao observar que sua imagem , sua pessoa era vista de outra forma , que era afamada pelo marido como uma mulher amada e fiel , ficou tocada por tao grande amor.
E, segundo o conto, para fazer jus a fama da versão do marido ela se transformou verdadeiramente numa mulher honrada,amorosa,fiel m de palavra,e de alma purificada...
Jò com amor ,fez o (Des)enredo da historia de uma pessoa com a vida cheia de enganos e criou um novo enredo de felicidade possivel para os dois ...
“O verdadeiro pode às vezes não ser verossímil.”
(BOILEAU, A arte poética)
sábado, 1 de agosto de 2009
A GRAÇA DO PERDÃO...

A graça do perdão não é forçada; desce dos céus como uma chuva fina sobre o solo: abençoada duplamente, abençoa a quem dá e a quem recebe.
É mais forte que a força: ela guarnece o monarca melhor que uma coroa: o cetro mostra a força temporal, atributo de orgulho e majestade, onde assenta o temor devido aos reis.
Mas o perdão supera essa imponência: é um atributo que pertence a Deus, e o terreno poder se faz divino quando, a piedade, curva-se à justiça. (Shakespeare)
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Sobre o tempo...
Resignado, o amor aguarda.
A velha relatividade do tempo...
Em dias o que era flor , folhas,cor e perfume tornou-se casca .
Vida ,carcomida , brocada .
Enraizados , momentos,lembranças , situações reviradas pelo solo fertil que é a mente.
Os pensamentos germinam.
Tudo ultrapassa o limite da pele,dos poros,da alma.
A imobilidade diante do tempo do outro...
O que resta é o limite do Céu e da força que dEle vem.
A liberdade é azul? segundo Kielowski sim, o é!
Para ela azul é a cor da esperança.
Alvíssaras!
Em breve chuva vem no cerrado.
Lava e leva tudo.
Refloresce ali onde tudo parecia estar morto...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
"Os olhos foram feitos para ver coisas insólitas
Fez-se a alma para gozar da alegria e do prazer
O coração foi destinado a embriagar-se na beleza do amigo ou na aflição da ausência.
A meta do amor é voar até o firmamento
A do intelecto, desvendar as leis e o mundo...
Apaixonado, o peregrino beija a pedra negra ansioso por sentir mais uma vez o
toque dos lábios do amigo e degustar como antes o seu beijo..."
Rami.
Imagem de Nana lopes por Tuty Loback
quarta-feira, 25 de março de 2009
O FABULOSO MUNDO IMAGÉTICO DE JEAN-PIERRE JEUNET E MARC CARO
“O sensível não é feito de coisas. È feito de tudo que nelas se desenha, mesmo no vazio dos intervalos, tudo que nelas deixa vestígio, tudo que nelas figura, mesmo a título de desvio e como certa ausência: o que pode ser apreendido pela experiência no sentido originário do termo, o ser que pode dar-se em presença original.”
Merleau-Ponty
Filmografia:

DELICATESSEN. Título original, Delicatessen,Comédia,França 1991.Direção:JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Cinematografia, Darius Khonoji. Montagem: Herve Schneio.Roteiro:Jean Pierre Jeunet,Marc Caro e Gilles Adrien .Musica original:Carlos D’Alessio,Elenco principal:Dominique Pinon,Marie-Laure Douganac, Jean-Claude Dreyfus,Karin Viard, Rufus e Tick |Holgado. Universal Studio. Duração:95 minutos.Colorido.Legendas em Prtuguês,Espanhol e Coreano.Idiomas dublados:Português,Francês.Distribuição no Brasil Studio Canal.Longa metragem.DVD/VHS
LADRÃO DE SONHOS. Título original: La cite dês enfants perdus,Aventura.França, Alemanha,Espanha, 1995. JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Roteiro:Gilles Adrien,Guilaume Laurant, :JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Elenco principal:Ron Pearlman,Daniel Emilfork,Judith Vittet,Dominique Pinon,J. Claude Dreyfus,Música: Ângelo Badalamenti.Diretor de fotografia:Darius Khonuji.Editor de som:Gerard Hardy.Cenografia:Jean Rabarse.Direção musical: Vincent Arnardi e hierry Lebon.Efeitos especias:Piotf e Pierre Buffin. Produção: Daniel Szuster.Produzido por Claude Ossard.Co-produção:Constelation, Lumiere,Le Studio anal.108 minutos.Impróprio para menores de 16 anos.Universal Picture.Legendas:Português, Espanhol,Coreano.Audio:Francês.VHS/DVD.

O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN.Título original: Le fabuleux destin d’Amelie Poulain.França, 2001.Comédia,Direção: JeanPierre Jeunet,
Tempo de Duração: 120 minutos,stúdio: Le Studio Canal+ / Filmstiftung Nordrhein-Westfalen / France 3 Cinéma / La Sofica Sofinergie 5 / MMC Independent GmbH / Tapioca Films / Victoires Pictures
Distribuição: Miramax Films,Roteiro: Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant.Produção: Jean-Marc Deschamps.Música: Yann Tiersen.Ftografia: Bruno Delbonnel.Desenho de Produção: Aline Bonetto
Direção de Arte: Volker Schäfer.Figurino: Madeline Fontaine e Emma Lebail.Edição: Hervé Schneid
Efeitos Especiais: Duboi...
Audrey Tautou (Amélie Poulain)
Mathieu Kassovitz (Nino Quincampoix)
Rufus (Raphael Poulain)
Yolande Moreau (Madeleine Wallace)
Artus de Penguern (Hipolito)
Urbain Cancelier (Collignon)
Maurice Bénichou (Dominique Bretodeau)
Dominique Pinon (Joseph)
Claude Perron (Eva)
Michel Robin (Pai de Collignon)
Isabelle Nanty (Georgette)
Clotilde Mallet (Gina)
Claire Maurier (Suzanne)
Serge Merlin (Dufayel)
James Debbouze (Lucien)Lorella Cravotta (Amandine Poulain)
Flore Guiet (Amélie Poulain - 8 anos)
[...]A instabilidade imagética e da lógica nos filmes da dupla, provocam no espectador além da experimentação do desalinho intelectual, também, leva a outras sensações como náuseas, repulsa, ternura. Por não comportar uma lógica palpável, o observador pode ser provocado a uma nova visita as obras. A disposição induzir o observador a uma experiência onírica, onde situações estranhas remetem ao mundo dos sonhos, é uma marca deixada pelos diretores. No caso em especial de “Delicatessen e La cite”, nem o literal representa o real, nem o real projeta o literal. O real desnaturalizado não se reproduz por inteiro devido às situações colocadas em todo decorrer das histórias.
As três obras remetem ao sonho, o que faz lembrar uma citação de Merleau-Ponty em Fenomenologia da Percepção onde ele afirma que “O sonhador sonha, é por que seus movimentos respiratórios e suas pulsões sexuais não são tomados por aquilo que são, rompem as amarras que os ligam ao mundo e flutuam diante dele sob forma de sonho.[...] os objetos estão sempre ali, com o espaço claro ele conserva sempre o meio de exorcizar os fantasmas e de retornar ao mundo comum.”. Assim se desenrola os trabalhos cinematográficos da dupla de diretores. Dão ao observador a oportunidade segura de ir ao mundo dos sonhos por um tempo e serem acordados pela luz que se acende na sala de cinema ou o desligar de um botão de controle remoto.
Seqüências coreografadas permeiam as obras. Destacam-se em Delicatessen e Amelie Poulain momentos memoráveis. Na primeira obra as seqüencia das cenas do momento de amor do açougueiro e sua inquilina que fazem todo o edifício entrarem em sintonia com seus movimentos, a graça do ex palhaço , faz-tudo interpretado por Dominique Pinon, (ator presente nas três obras e em La cite dês enfants perdus é um ser clonado em seis outros) dança com suas três pernas, a seqüencia da manutenção das molas do colchão são de um humor e delicadeza únicos. Em Amelie Poulain, destaca-se a fugaz, mas não menos poética travessia do homem cego onde Amelie descreve a ele todos os elementos e detalhes da rua que ela julga ser interessante de se ver como, por exemplo, as rugas do sorriso do florista, a viúva do instrumentista da banda que usa a farda vermelha desde que ele morreu o detalhe da cabeça da estatua do cavalo que perdeu uma orelha, os pirulitos na vitrine da padaria, o bebe olhando o cachorro enquanto o cachorro olha a máquina de assar frangos e isso como uma paleta de cores torna a percepção do cego mais iluminada. O olhar do cego esta diretamente ligada a um conceito de perda da experimentação de ver, onde a princípio ver é somente uma mera ordenação daquilo que passa sem reparo, que é o que acontece de forma muito comum com todos que passam todos os dias no mesmo local, mesma cidade. O cotidiano pode cegar para os detalhes. Em relação à cegueira ou falta do olhar, enclausurar uma imagem produz outra imagem. O que remanesce, o que fica depois de tudo, quando a imagem desaparece em sua própria característica efêmera acaba por se modificar, tomar novas formas, novas cores que vai além do objeto concreto. Amelie gosta de ir ao cinema e olhar o rosto dos espectadores do filme e gosta de descobrir detalhes do filme que ninguém mais percebe. Com esse olhar treinado para ver o que é incomum, ao descrever todo um cenário ao homem cego, Amelie recortou imagens e permitiu que ele entrasse em outra dimensão de ver, um novo mundo percebível.
Em contrapartida logo no início de ”La cite dês enfants perdus” o cego fala à multidão que o cerca: “renunciem a visão”. Há personagens que são denominados de cíclopes, cegos com um olho mecânico que é chamado de terceira visão, visão esta, dada determinadas pessoas de uma espécie de irmandade onde o chefe fala a uma platéia de cegos, muitos com o olho mecânico. Esse suposto líder fala aos cegos que, veio ao mundo de olhos abertos e incita a platéia a renunciar o mundo das aparências mundo esse que o terceiro olho os permitia acessar. As conexões conceituais estão implícitas por toda obra, as definições ocultas, as explicações subentendidas, mas, no entanto elas estão fragmentadas por jogo de imagens e mini cenas que vão saltitando de um lugar para o outro narrando várias histórias que são entre ligadas , hora por encanamentos que permitem que os sons reverberem pelo prédio (Delicatessen), hora, por um personagem clonado seis vezes, crianças, seres mutantes e surreais,(La cite dês enfants perdus), poética sobre o cotidiano e a forma sincronizada que o mundo se move onde ao mesmo tempo o vento sopra sob a toalha de uma mesa e faz taças dançarem, uma mosca voa, um espermatozóide atinge o óvulo ou casais chegam ao orgasmo ( Amelie Poulain).
As distorções de imagens também muito usadas como linguagem nos filmes imprimem por vezes humor, outras angustiam.
A linha tênue entre o grotesco, surreal, delicadeza, leveza e humor permeia todas as três obras que fazem ponte de ligação e gravam as digitais estéticas dos diretores.
Quanto a ler imagens, segundo Didi-Hurberman, não no sentido de desvendar ou decifrar, mas no sentido de retrabalhar a imagem ler, conduzir e criar novas imagens que não funcionam com a mesma lógica do ver comum, mas, pode jogar com essas ultimas.
• As surpresas reservadas nas obras desses diretores não são menores que estranhamento e questionamentos que delas provem onde o pensamento Merleau-Pontiniano cujo “O conhecimento inteiro e o pensamento inteiro vivem de um fato inaugural cuja expressão é: senti.” Ter relação com o coerente, o real, palpável é a menor preocupação de quem faz uma obra imagética.
São três contos de fadas, e como tal, reviram imaginário infantil, lembranças, medos mais remotos, estranhezas. Anões, mutilados, palhaços, papel Noel, gente idosa, animais repulsivos, a falta de sensibilidade dos adultos em perceber a carência afetiva, amigos imaginários, a magia, os prazeres e devaneios da infância, são elementos incrustados nessas obras que culminam com a beleza de gestos contrapondo a feiúra. A inteligência vencendo o poder da força. O altruísmo sobrepondo a falta de carinho (La cite dês enfants perdus), a poesia do dueto de Cello e serrote com as crianças no telhado (Delicatessen) e a decisão de tornar o mundo a sua volta mais feliz com o degustar dos pequenos prazeres da vida (Le fabuleux destin d’Amelie Poulain), momentos recolhidos da memória de cada um que assiste as obras, devolvem por fim a poesia ao expectador. O delicioso triunfo do bem contra o mal. Coisa de contos de fadas.[...]"
FONTE:
(Esse texto é um fragmento do ensaio O FABULOSO MUNDO IMAGÉTICO DE JEAN-PIERRE JEUNET E MARC CARO - escrito por Eliana Maria L.S. Andrade em Novembro de 2008-FADM-Faculdade de Artes Dulcina de Morais)
Merleau-Ponty
Filmografia:

DELICATESSEN. Título original, Delicatessen,Comédia,França 1991.Direção:JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Cinematografia, Darius Khonoji. Montagem: Herve Schneio.Roteiro:Jean Pierre Jeunet,Marc Caro e Gilles Adrien .Musica original:Carlos D’Alessio,Elenco principal:Dominique Pinon,Marie-Laure Douganac, Jean-Claude Dreyfus,Karin Viard, Rufus e Tick |Holgado. Universal Studio. Duração:95 minutos.Colorido.Legendas em Prtuguês,Espanhol e Coreano.Idiomas dublados:Português,Francês.Distribuição no Brasil Studio Canal.Longa metragem.DVD/VHS
LADRÃO DE SONHOS. Título original: La cite dês enfants perdus,Aventura.França, Alemanha,Espanha, 1995. JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Roteiro:Gilles Adrien,Guilaume Laurant, :JeanPierre Jeunet e Marc Caro.Elenco principal:Ron Pearlman,Daniel Emilfork,Judith Vittet,Dominique Pinon,J. Claude Dreyfus,Música: Ângelo Badalamenti.Diretor de fotografia:Darius Khonuji.Editor de som:Gerard Hardy.Cenografia:Jean Rabarse.Direção musical: Vincent Arnardi e hierry Lebon.Efeitos especias:Piotf e Pierre Buffin. Produção: Daniel Szuster.Produzido por Claude Ossard.Co-produção:Constelation, Lumiere,Le Studio anal.108 minutos.Impróprio para menores de 16 anos.Universal Picture.Legendas:Português, Espanhol,Coreano.Audio:Francês.VHS/DVD.
O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN.Título original: Le fabuleux destin d’Amelie Poulain.França, 2001.Comédia,Direção: JeanPierre Jeunet,
Tempo de Duração: 120 minutos,stúdio: Le Studio Canal+ / Filmstiftung Nordrhein-Westfalen / France 3 Cinéma / La Sofica Sofinergie 5 / MMC Independent GmbH / Tapioca Films / Victoires Pictures
Distribuição: Miramax Films,Roteiro: Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant.Produção: Jean-Marc Deschamps.Música: Yann Tiersen.Ftografia: Bruno Delbonnel.Desenho de Produção: Aline Bonetto
Direção de Arte: Volker Schäfer.Figurino: Madeline Fontaine e Emma Lebail.Edição: Hervé Schneid
Efeitos Especiais: Duboi...
Audrey Tautou (Amélie Poulain)
Mathieu Kassovitz (Nino Quincampoix)
Rufus (Raphael Poulain)
Yolande Moreau (Madeleine Wallace)
Artus de Penguern (Hipolito)
Urbain Cancelier (Collignon)
Maurice Bénichou (Dominique Bretodeau)
Dominique Pinon (Joseph)
Claude Perron (Eva)
Michel Robin (Pai de Collignon)
Isabelle Nanty (Georgette)
Clotilde Mallet (Gina)
Claire Maurier (Suzanne)
Serge Merlin (Dufayel)
James Debbouze (Lucien)Lorella Cravotta (Amandine Poulain)
Flore Guiet (Amélie Poulain - 8 anos)
[...]A instabilidade imagética e da lógica nos filmes da dupla, provocam no espectador além da experimentação do desalinho intelectual, também, leva a outras sensações como náuseas, repulsa, ternura. Por não comportar uma lógica palpável, o observador pode ser provocado a uma nova visita as obras. A disposição induzir o observador a uma experiência onírica, onde situações estranhas remetem ao mundo dos sonhos, é uma marca deixada pelos diretores. No caso em especial de “Delicatessen e La cite”, nem o literal representa o real, nem o real projeta o literal. O real desnaturalizado não se reproduz por inteiro devido às situações colocadas em todo decorrer das histórias.
As três obras remetem ao sonho, o que faz lembrar uma citação de Merleau-Ponty em Fenomenologia da Percepção onde ele afirma que “O sonhador sonha, é por que seus movimentos respiratórios e suas pulsões sexuais não são tomados por aquilo que são, rompem as amarras que os ligam ao mundo e flutuam diante dele sob forma de sonho.[...] os objetos estão sempre ali, com o espaço claro ele conserva sempre o meio de exorcizar os fantasmas e de retornar ao mundo comum.”. Assim se desenrola os trabalhos cinematográficos da dupla de diretores. Dão ao observador a oportunidade segura de ir ao mundo dos sonhos por um tempo e serem acordados pela luz que se acende na sala de cinema ou o desligar de um botão de controle remoto.
Seqüências coreografadas permeiam as obras. Destacam-se em Delicatessen e Amelie Poulain momentos memoráveis. Na primeira obra as seqüencia das cenas do momento de amor do açougueiro e sua inquilina que fazem todo o edifício entrarem em sintonia com seus movimentos, a graça do ex palhaço , faz-tudo interpretado por Dominique Pinon, (ator presente nas três obras e em La cite dês enfants perdus é um ser clonado em seis outros) dança com suas três pernas, a seqüencia da manutenção das molas do colchão são de um humor e delicadeza únicos. Em Amelie Poulain, destaca-se a fugaz, mas não menos poética travessia do homem cego onde Amelie descreve a ele todos os elementos e detalhes da rua que ela julga ser interessante de se ver como, por exemplo, as rugas do sorriso do florista, a viúva do instrumentista da banda que usa a farda vermelha desde que ele morreu o detalhe da cabeça da estatua do cavalo que perdeu uma orelha, os pirulitos na vitrine da padaria, o bebe olhando o cachorro enquanto o cachorro olha a máquina de assar frangos e isso como uma paleta de cores torna a percepção do cego mais iluminada. O olhar do cego esta diretamente ligada a um conceito de perda da experimentação de ver, onde a princípio ver é somente uma mera ordenação daquilo que passa sem reparo, que é o que acontece de forma muito comum com todos que passam todos os dias no mesmo local, mesma cidade. O cotidiano pode cegar para os detalhes. Em relação à cegueira ou falta do olhar, enclausurar uma imagem produz outra imagem. O que remanesce, o que fica depois de tudo, quando a imagem desaparece em sua própria característica efêmera acaba por se modificar, tomar novas formas, novas cores que vai além do objeto concreto. Amelie gosta de ir ao cinema e olhar o rosto dos espectadores do filme e gosta de descobrir detalhes do filme que ninguém mais percebe. Com esse olhar treinado para ver o que é incomum, ao descrever todo um cenário ao homem cego, Amelie recortou imagens e permitiu que ele entrasse em outra dimensão de ver, um novo mundo percebível.
Em contrapartida logo no início de ”La cite dês enfants perdus” o cego fala à multidão que o cerca: “renunciem a visão”. Há personagens que são denominados de cíclopes, cegos com um olho mecânico que é chamado de terceira visão, visão esta, dada determinadas pessoas de uma espécie de irmandade onde o chefe fala a uma platéia de cegos, muitos com o olho mecânico. Esse suposto líder fala aos cegos que, veio ao mundo de olhos abertos e incita a platéia a renunciar o mundo das aparências mundo esse que o terceiro olho os permitia acessar. As conexões conceituais estão implícitas por toda obra, as definições ocultas, as explicações subentendidas, mas, no entanto elas estão fragmentadas por jogo de imagens e mini cenas que vão saltitando de um lugar para o outro narrando várias histórias que são entre ligadas , hora por encanamentos que permitem que os sons reverberem pelo prédio (Delicatessen), hora, por um personagem clonado seis vezes, crianças, seres mutantes e surreais,(La cite dês enfants perdus), poética sobre o cotidiano e a forma sincronizada que o mundo se move onde ao mesmo tempo o vento sopra sob a toalha de uma mesa e faz taças dançarem, uma mosca voa, um espermatozóide atinge o óvulo ou casais chegam ao orgasmo ( Amelie Poulain).
As distorções de imagens também muito usadas como linguagem nos filmes imprimem por vezes humor, outras angustiam.
A linha tênue entre o grotesco, surreal, delicadeza, leveza e humor permeia todas as três obras que fazem ponte de ligação e gravam as digitais estéticas dos diretores.
Quanto a ler imagens, segundo Didi-Hurberman, não no sentido de desvendar ou decifrar, mas no sentido de retrabalhar a imagem ler, conduzir e criar novas imagens que não funcionam com a mesma lógica do ver comum, mas, pode jogar com essas ultimas.
• As surpresas reservadas nas obras desses diretores não são menores que estranhamento e questionamentos que delas provem onde o pensamento Merleau-Pontiniano cujo “O conhecimento inteiro e o pensamento inteiro vivem de um fato inaugural cuja expressão é: senti.” Ter relação com o coerente, o real, palpável é a menor preocupação de quem faz uma obra imagética.
São três contos de fadas, e como tal, reviram imaginário infantil, lembranças, medos mais remotos, estranhezas. Anões, mutilados, palhaços, papel Noel, gente idosa, animais repulsivos, a falta de sensibilidade dos adultos em perceber a carência afetiva, amigos imaginários, a magia, os prazeres e devaneios da infância, são elementos incrustados nessas obras que culminam com a beleza de gestos contrapondo a feiúra. A inteligência vencendo o poder da força. O altruísmo sobrepondo a falta de carinho (La cite dês enfants perdus), a poesia do dueto de Cello e serrote com as crianças no telhado (Delicatessen) e a decisão de tornar o mundo a sua volta mais feliz com o degustar dos pequenos prazeres da vida (Le fabuleux destin d’Amelie Poulain), momentos recolhidos da memória de cada um que assiste as obras, devolvem por fim a poesia ao expectador. O delicioso triunfo do bem contra o mal. Coisa de contos de fadas.[...]"
FONTE:
(Esse texto é um fragmento do ensaio O FABULOSO MUNDO IMAGÉTICO DE JEAN-PIERRE JEUNET E MARC CARO - escrito por Eliana Maria L.S. Andrade em Novembro de 2008-FADM-Faculdade de Artes Dulcina de Morais)
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